quinta-feira, outubro 30, 2003

Nota sobre música

Sou sempre da opinião de que a gente tem que saber a hora de ser prudente e a de ser corajoso, mas não pode nunca deixar de lutar pra mudar uma situação, se a gente tá incomodado com ela.
Isso é pra falar sobre música, pode acreditar. E, por inpreça que parível, sobre Los Hermanos.

Eu ouço Ventura e me encho de admiração, simplesmente porque eles souberam lutar como poucos. Quando tiveram que ser prudentes com o mercado, e lançar Ana Júlia, eles fizeram. Chegaram lá graças ao seu Twist and Shout. Quando tiveram que brigar pela independência, por não precisar viver tocando Ana Júlias, eles também fizeram. E quanto tiveram que acenar com a bandeira branca, para continuar tendo apoio ao seu novo e ultrapessoal trabalho, lá estavam eles de novo, sabendo o momento certo de mudar de estratégia.

Eles, enfim, venceram a poderosíssima máfia da indústria cultural. Como outros na música de hoje, com o apoio da nova tecnologia e do áudio líquido (leia-se MP3 e derivados), estão aí pra salvar a música.

A mistura de Beatles, Chico Buarque e Pet Sounds é um som que eu nunca mais esperava ouvir, de uma banda atual. Um som lindo. A voz do Amarante, por exemplo, é um instrumento, um clarinete baixo, solando, independente e parecendo dizer "não ligo pro que dizem: canto como eu gosto e pronto!". E as músicas vêm para desafiar a falta de criatividade atual. Soa moderno.

E é engraçado que, nos dias de hoje, fazer arte é ser moderno. É que é raro quem faça arte, hoje, na música. E eles fazem. Não digo que o disco é perfeito, não. Mas a atitude deles é. Longa vida a essa atitude. E a gente diz pra banda: "ASSIM É QUE SE FAZ!!!"
:-)

Dica: ouvir pelo menos "Além do que se vê", "O velho e o moço" e "Do sétimo andar". Que grande conquista nossa, poder ouvir sons como esses, hoje em dia.
Agora só falta eu começar a ouvir Jupiter Maçã no rádio.
hahahaha.

quarta-feira, outubro 29, 2003

Minha pequena resenha sobre o filme Irreversível, a ser publicada na revista Hacker #13

Cai a máscara da violência
Mas só para quem tem estômago forte

É difícil fazer uma crítica de um filme tão polêmico quanto Irreversível. Presente na Mostra de Cinema de São Paulo do ano passado, ele está de volta em 2003, dado o interesse que gerou no público.

Vemos violência no cinema, na TV, na vida real, enfim, em todo lugar, atualmente. Mas a violência explícita, da forma que é mostrada no filme, com a trilha executada, os movimentos de câmeras e a iluminação não-convencional usadas, acaba por provocar um sentimento totalmente diferente, nos espectadores. Não é como se víssemos a morte de mais uma das centenas de vítimas de Arnold Schwarzenegger, no cinema. Dessa vez, somos realmente jogados na parede: ISSO é a violência, ISSO é um assassinato, ISSO é um estupro.

Agora todos viram, todos sentiram. Alguns não agüentaram, tiveram que sair do cinema. Outros, conseguiram continuar, a maioria com a nítida certeza de ter visto cair uma máscara do mundo ocidental: a do herói assassino.

Dá pra entender claramente porque Irreversível é tão polêmico. Talvez seja o filme mais angustiante e explicitamente violento já feito. Mas, por outro lado, é o filme que todos os súditos de George W. Bush, em todo o planeta Terra, precisam ver, nos dias de hoje.
Às vezes pode parecer que não, mas eu gosto de mim, sei me cuidar e estou cada vez menos disposto a sofrer em função dos outros.

Quem puder me tratar bem, que fique por perto.

Os demais...

terça-feira, outubro 28, 2003

O post abaixo é dedicado a quem adora endeusar a Heloísa Helena (incluindo a Rita Lee, que ficou fazendo reverência pra ela no Saia Justa). Como é fácil admirar a utopia...
Hoje, chegando ao trabalho, vi uma faixa na rua:

“Banco Santander: 300 brasileiros no olho da rua; bilhões de reais para a Espanha. Protestem!”

Daí comecei a pensar. Existe mesmo esse argumento recorrente entre o pessoal anarquista, socialista, etc.: de que as empresas estrangeiras obtêm seus lucros no Brasil e mandam para seu país de origem, representando prejuízo para os brasileiros.

Mas será que eles poderiam parar pra pensar mais um pouco? Se só o Estado brasileiro e a nossa iniciativa privada fossem responsáveis por investir aqui, movimentar a nossa economia e gerar empregos (tão necessários hoje em dia, para nós), o que seria do Brasil? Se eles vêm até aqui para obter lucros, dão a contrapartida de empregar e dar condição digna de vida a muitos brasileiros, direta e indiretamente. Isso sem querer defender os bancos, que com certeza, estão com margens de lucros infladas no Brasil há muito tempo.

Que o capitalismo é injusto, todos sabemos. Mas alguém tem alguma alternativa a ele? Países que se dizem socialistas, hoje, como a China e Cuba, são piada em termos de desenvolvimento social. A China tem uma sociedade tão ou mais injusta que a brasileira. O socialismo deles tem pouco ou nada de Marx; é só uma marca a ser vendida aos seus habitantes, em forma de lavagem cerebral. Na verdade, trata-se de um capitalismo de Estado altamente liberal, aplicado por uma das mais atrozes ditaduras do mundo.

Em Cuba, sem dúvida, os serviços sociais estão em melhores condições; também, é muito mais fácil administrar esses serviços em uma ilha com milhares de habitantes do que num país gigantesco com quase um bilhão e meio de pessoas. Tanto numa nação como na outra, a corrupção é uma muito bem consolidada instituição, enquanto a maioria permanece miserável e os comandantes ditatoriais reinam em suas mansões.

Não há solução para a esquerda radical. O socialismo não é viável, economicamente, a não ser usando mão de obra escrava. De outra forma, sempre perde para a concorrência capitalista. Teria que ser implantado no mundo todo, para dar certo nesse campo, e aí cairíamos na previsão de Huxley, em “Admirável Mundo Novo”: pessoas obrigadas pelo governo a tomar pílulas, para matarem a cada dia o instinto de serem indivíduos, com suas próprias vontades e ambições.

Enfim: o capitalismo é uma merda, que deixa a maioria da população do mundo na miséria. Mas ninguém tem uma boa solução pra colocar no lugar dele. E daí eu concluo: se tudo o que eu disse acima são fatos, como alguém pode continuar sendo um esquerdista radical? Como pode continuar atravancado ações sérias de um governo moderado em nome das suas utopias?

Seria legal se pensassem nisso os radicais ingênuos, que imaginaram que Lula faria uma revolução, e agora se espantam (!) ao vê-lo governar com serenidade. Talvez esperassem que Zé Dirceu e Genoíno pegassem em armas, lá em Brasília, para matar as saudades de seus tempos de guerrilha.

Aiai, e tudo isso, por causa de uma faixa! Eu sou um ser que pensa demais, e isso me faz um mal... Será que não tem uma pilulazinha dessas do Huxley, que faz a gente pensar menos???
Ah, faltou uma observação: jamais sair gripado

segunda-feira, outubro 27, 2003

Tem algumas coisas que devem ser registradas sobre esse fim de semana:

- Que merda é a Cléo Pires? Putz, que mulher charmosa... Adorei o Benjamin no cinema, acho que todo mundo deveria ver. Impressionante como a gente consegue entrar na alma do cara, quase a ponto de o cara se tornar nós mesmos. Isso em cinema é tão raro... A gente consegue até perdoar as imensas merdas que o cara comete na vida dele. E claro, torcendo pro Paulo José se dar bem com a Cléo Pires!!! Putz, por essa eu nem cobrava cachê!!

- São Paulo é uma cidade bem pequeninha. Favor evitar certos cruzamentos

- Cada vez mais óbvio: tô muito mudado, mas tenho que tomar cuidado extra comigo mesmo

- Tocar sampler e coisas eletrônicas é o máximo

- Preciso parar de gastar tanto dinheiro

Acho que é só...

segunda-feira, outubro 20, 2003

Sim, Dani, sobrevivi nesse fim de semana. Fiquei mais calmo, bebi menos, e não arrumei confusão com ninguém. Bom, mas foi por pouco. Quase chego num cara com black power pra chamar ele de Michael Jackson e começar a zoar ele. Ê, criancice... começo a beber e volto a ser um aborrecente. Mas isso passa...
O aniversário da Dani foi sensacional. Ela estava linda, a amiga dela, a Bia, anda muito bonita também, além de simpática, a banda era excelente, aprendi um novo truque na bateria, o Grandjean apareceu, o Rodrigo apareceu, o Paulo, apareceu, e o Cição parecia o Juninho Bill. Resumindo, deu pra me divertir bastante.
Acho que a Dani gostou dos meus presentes. Tomara que ajudem ela a ficar mais contente...

quarta-feira, outubro 15, 2003

O meu problema é um só: quero que as pessoas ajam da forma como eu agiria. Só que isso não vai rolar nunca!!

terça-feira, outubro 14, 2003

Eu tô virando um perigo pra sociedade. Melhor parar de beber tanto. No fim de semana passada arrumei confusão com policial, e se ele tivesse uma arma e fosse um pouquinho mais doente, já não estaria mais nesse mundo...

O problema é que beber é bom pra caraca... sei lá, tomara que eu consiga me controlar. E sábado tem aniversário da Dani, não tem como não ir. Legal que ela marcou num lugar que não é a Vila Olímpia, só isso já é razão suficiente pra ir comemorar com ela. Mesmo que ela viva faltando nos meus aniversários (até hoje não foi em nenhuma comemoração que eu armei).

Vamos ver se eu consigo passar um sábado sem escândalo, pelo menos no aniversário da minha amiga.

quarta-feira, outubro 08, 2003

Muita gente acredita em astrologia. Muita gente mesmo. Bem, eu não vou dizer que acredito, nem que não acredito. Apenas desconfio de muitas coisas, e acho meio ridículo o pretenso status “científico” da coisa.
Dizem que se aconteceu algo conosco é “por causa de Marte”, ou por causa da “Lua na segunda casa”, ou coisas do tipo. Então, tá. Já que é assim, eu vou fazer a minha teoria também. Só que, no meu caso, tudo o que acontece comigo é culpa do Palmeiras. O quê, não acredita??? É a pura verdade. A minha vida caminha de forma totalmente paralela com a do meu time, e não é loucura da minha cabeça. Talvez uma coincidência incrível, sim, mas é a pura verdade. Vejam aqui a comparação. E não há nenhuma forçação de barra de forma nenhuma, os fatos são precisamente esses:

1977
Eu – Nasci, e iniciei aqui uma fase de profundo isolamento e desencontro com o mundo
Meu time – Passa pelo primeiro ano sem títulos. Pelos próximos 16 anos, não ganhará absolutamente nada

1993
Eu – Agora no segundo colegial, e começando a ter aulas de bateria, eu começo a me achar, sair com as pessoas, fazer bons amigos. A vida começa a fazer sentido
Meu time – Ganha o primeiro título desde que eu nasci

1995
Eu – Saio do colégio, entro na faculdade e isso me causa um colapso.
Meu time – Este é o único ano da era Parmalat (que durou 7 anos) em que o Palmeiras não ganha nenhum título

1996
Eu – No segundo ano da faculdade, começo a compor com amigos e monto minha melhor banda até hoje. É um dos melhores anos da minha vida
Meu time – Ganha o Paulista com o chamado Ataque do Século, que marca mais de 100 gols no campeonato

1997 a 2000
Eu – No meu primeiro namoro, passo os três melhores anos da minha vida
Meu time – Com o Felipão como técnico (durante exatamente esses anos), o time consegue suas maiores conquistas, incluindo a Libertadores de 99

2000 a 2002
Eu – Perco minha primeira namorada e fico numa época de vacas magras, em termos de sentimento. Minha banda entra em decadência, assim como as minhas pretensões musicais. Em 2002, começo um processo que resultaria na maior crise da minha vida
Meu time – Perde Felipão e a Parmalat. Entra em decadência e não consegue ganhar mais nenhum título. Em 2002, o time chega a ser rebaixado pra segunda divisão

2003
Eu – Começo a me recuperar. Tive que comer grama, mas vejo luz no fim do túnel
Meu time – Teve que disputar mesmo a segunda divisão, mas está em primeiro e tem tudo para subir novamente

Viram?? Já faz tempo que eu reparo nisso e acho impressionante! Não acredito em astrologia, mas futebologia, nisso eu sou expert!!

segunda-feira, outubro 06, 2003

Bom, mesmo vigiado, este site continua suas operações.

O final de semana foi muito legal, como sempre, mas foi especial porque eu conheci uma pessoa nota dez, a Renata. A banda preferida dela é Beatles, e isso já diz tudo :-) Fora isso, temos outras coisas em comum que nos deixou meio perplexos.

Combinamos de sair pra ver um show na quinta, tomara que role. Fazia tempo que não conhecia uma pessoa com quem me identificasse tanto, na balada. Aliás, se tem lugar difícil pra conhecer alguém de verdade (e não apenas ficar) é na balada... Quem discorda??
Ok, vamos ser claros: quem é meu amigo, tem algo a me dizer, ou coisa parecida, leia este blog. O resto, caia fora!