quinta-feira, novembro 27, 2003

Devido à tendininte este blog estará funcionando com lentidão e maior tempo de parada entre os posts.

domingo, novembro 23, 2003

Está no Estadão deste domingo:

"Nenhum torcedor está indiferente ao Palmeiras hoje. Se você é palmeirense, vibre, se emocione e comemore. Se não é, limite-se a admirar. Afinal, hoje, o Palmeiras entrou para a história, não como campeão, pois já o fez há tempos e inúmeras vezes, mas como exemplo de dignidade e superação."
Acabei de chegar de uma balada em que o DJ e dono da casa ficava gritando toda hora: "Liberdade para Michael Jackson!!! Ele é inocente!!!".

Eu não sei quem é mais louco: o Michael Jackson ou um cara que fica gritando isso...
O campeão do século, no Brasil

Desculpem se é extravasar demais a alegria, mas é preciso registrar. O título acima não é figura de linguagem: foi anunciado no final de 2000 em rankings separados elaborados pelos jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo (os dois maiores do Brasil), pela Revista Placar (a maior revista de esporte já publicada no País) e pela Federação Paulista de Futebol.

Cada um deles fez o seu ranking, pontuando os vencedores dos campeonatos mais importantes, e chegaram ao mesmo resultado: o Palmeiras é o time mais vitorioso do século XX, no Brasil. Ganhou praticamente todas as taças que disputou (todas, se considerado o Mundial Interclubes de 1951, que está para ser reconhecido oficialmente pela FIFA), esteve presente em inúmeras finais e, realmente, olhando o passado, deixa seus adversários pra trás, desse ponto de vista.

Isso foi reconhecido até em uma pesquisa na Internet (onde se suporia que times com mais torcida, como o Corinthians, sairiam vencedores). Mas não: em enquete realizada pelo portal UOL, o Palmeiras foi também apontado como o maior campeão do século XX.

A terceira maior torcida do Brasil, com 10 milhões de aficcionados, agradece. E aguarda ansiosa pelo próximo título.
De novo campeão

Não adianta tirar sarro, torcedores de outros times. o Palmeiras conseguiu o que nenhum outro grande clube havia conseguido antes: voltar de forma limpa para a primeira divisão do futebol brasileiro. Pode até ter tentado virar a mesa, mas o mérito, ainda assim, é enorme. Explico logo abaixo.

Foram muitos os times que passaram pelo vexame de virar a mesa depois de serem rebaixados. É que, como sempre dizem, a memória do brasileiro é muito curta. Não é mesmo torcedores do São Paulo, Fluminense, Grêmio, Bahia, Corinthians e tantos outros times que já tiveram uma mãozinha pra voltar? No caso do São Paulo, foi até no campeonato paulista...

Até o Palmeiras, mesmo, já havia recebido favores do tipo, em tempos passados. Mas dessa vez, se sagrou, mais do que campeão da segunda divisão, o primeiro grande time do futebol brasileiro a voltar para a primeira divisão sem uma mínima mudança do regulamento. Todos os outros citados já sentiram: não é fácil lutar pra subir. O Fluminense chegou até a cair para a terceira... Os campeonatos são muito difíceis e é preciso muita humildade e garra. E isso o Palmeiras mostrou de sobra, sem contar a torcida, que deu um verdadeiro show e mostrou que consegue ser muto mais FIEL que outras tantas aí, que ficam na fidelidade só na lenda. Todos os jogos lotados, e festas pra italiano ver. A partir de agora, todo time que quiser virar a mesa, vai ter que enfrentar o exemplo do Palmeiras, que disputou e voltou na bola para a primeira divisão.

Quem tira sarro é quem não tem memória. E quem conhece futebol sabe: o Palmeiras acaba de dar um passo histórico para a moralização do futebol brasileiro.

Parabéns, porcada! A italianada está feliz da vida! Depois de tanta tristeza, agora é só comemorar!

sexta-feira, novembro 21, 2003

Ótima entrevista do Marcelo Camelo. Destaque para esses trechos:

"Nós nos sentimos muito livres para tomar emprestadas coisas de qualquer lugar, de qualquer espécie, pois não colocamos nada que seja artístico em escalas de valor. Justamente por acreditar que a arte, a música, faz-se presente no coração do ouvinte, do espectador, enfim, de quem está a assistir aquilo."

Parece aquele discussão com o Alex...

"No nosso caso, especificamente, a Internet foi de uma valia muito grande para a divulgação do disco O Bloco do Eu Sozinho (2001). Este foi um disco desacreditado pela gravadora e, por conta disso, deparamo-nos com a situação de ter cortados todos os canais possíveis e existentes de comunicação, com um álbum pronto na mão - novo. Não tocou no rádio, não teve videoclipe e a nossa situação ficou muito delicada, muito difícil. Ao mesmo tempo, o disco tomou vida própria. Foi gravado, passado e repassado de mão em mão. Começou a ser indicado, a aparecer nas listas de melhores discos.

E, na realidade, o nosso site, na internet, foi o grande componente de agregação dos nossos fãs; foi a grande fonte de informações e ponte para eles. Naquele momento, realmente enxergamos a Internet como uma saída para aquela situação. Tínhamos uma banda querendo fazer turnê, 3, 4, meses depois do disco lançado e uma gravadora que dizia claramente que não faria mais nada pelo disco. "

Isso é sensacional. São poucos os artistas que defendem a Internet e o MP3, hoje em dia. E ele disse mais:

"Tudo isso é muito bom, pois é algo que, claramente, pulveriza o poder das gravadoras e o desloca um pouco mais para as mãos da banda. Eu acho que a Internet poderá tomar conta do mercado, de uma maneira inacreditável. Então, basta imaginar o que não vai estar acontecendo daqui a dez anos com relação à troca de arquivos Mp3, ou se inventarem um outro "Mp alguma coisa", que seja menor e melhor ainda. Considerando a velocidade com que essas informações vão ser trocadas, certamente a indústria terá de repensar muita coisa."

quarta-feira, novembro 19, 2003

Meu, que mulher baixo nível! Tá quase no nível da Tati Quebra-barraco...
(Saiu no site Ananova. Desculpa não traduzir, mas é que é meio intraduzível)

Britney hints Justin not such a 'Trousersnake'

Britney Spears has hinted that Justin Timberlake may not deserve his 'Trousersnake' nickname.
The 21-year-old singer, who lost her virginity to Timberlake, said she felt "just a little bitter" at their break-up.
She laughingly stressed the words "just" and "little" - while using her thumb and finger for emphasis, reports The Sun.
E, por incrível que pareça, One foi eleita a melhormúsica já gravada!!
Mas não é a do Metallica, é a do U2. Que bosta! Gosto da música, mas dizer que é a melhor já gravada... Foi uma eleição furada da revista Q, inglesa, que escolheu as 1001 melhores músicas.

E mais uma vez, Sgt Peppers foi eleito o melhor disco de todos os tempos. Agora foi a Rolling Stone, que fez pesquisa com vários músicos, críticos, etc. Pra variar, Pet Sounds ficou em segundo e Revolver em terceiro. É engraçado como pra mim é exatamente assim, também.

terça-feira, novembro 18, 2003

Estou em vias de rever minha posição quanto à melhor música de todos os tempos. Em vez de Bohemian Rapsody, One, do Metallica.
Essa música é muito foda, especialmente ouvindo no fone, no último volume! E eu tenho que tocar essa música de qualquer jeito...

domingo, novembro 16, 2003

Até os meus 16 anos, eu era pouco do que vocês conhecem hoje. Eu era assim: um caramujo. Não saía de casa nunca. Jamais falava com estranhos. Aceitar o convite pra ir na casa de um amigo meu, nem pensar... Naquele tempo, eu tava totalmente inseguro sobre a minha capacidade de fazer qualquer coisa do que se espera de uma criança, de um adolescente, de um adulto.

Eu ficava lá, tristezinho, fazendo apenas algumas coisinhas sem importância. Uma delas era torcer pro meu time. Ele nunca ganhava, mas eu torcia mesmo assim. Me enfiava debaixo do sofá da minha casa, me protegendo de tudo e de todos, e ficava torcendo. Se ele perdia, eu chorava. E sempre tinha um pedido na ponta da língua pra Deus: “por favor, faz o meu time ser campeão?”. Todo mundo tirava sarro da gente, mas talvez não fizessem isso se soubessem que tinha um menino pequenininho debaixo do sofá, pedindo pra Deus terminar logo com esse martírio.

Quando eu fiz 16 anos, tudo isso terminou. O martírio do time e do menino assustado, debaixo do sofá. Tudo começou a mudar. Mas ainda assim, a ligação entre a gente é e sempre vai ser muito forte. Afinal, a gente sofreu junto por 16 anos.

Ontem, estávamos eu e outras 30 mil pessoas reunidas, fazendo de novo o mesmo pedido pra Deus. Havia uma ligação muito forte entre a gente, mesmo sabendo que elas não necessariamente passaram também aqueles 16 anos debaixo dos seus respectivos sofás. Não importa, naquele momento, era como se tivessem passado. De verdade.

E tudo deu certo. A força que se vê de 30 mil pessoas desejando muito uma mesma coisa é impressionante e consegue mudar mesmo o destino. E eu tava lá, todo de verde, segurando uma imensa bandeira, no meio de uma imensa multidão verde. O futebol é mesmo muito bonito, às vezes.

Meu time está de volta à primeira divisão. Obrigado, Palmeiras. Já tô sentindo a minha força voltando. Não quero mais saber de sofá. Agora, só quero saber de viver.

quinta-feira, novembro 13, 2003

OK, atendendo aos pedidos da Carô, a nova enquete promete ser mais polêmica.

Mulheres: vocês preferem homem entrando na água de sunga ou bermudão??? O povo quer saber!!!
Atenção para uma enquete muito importante, que pode mudar o destino País: que tipo de cueca vocês preferem? Sleep (tradicional), boxer, tanga, samba-canção, aquelas bermudinhas do É o Tchan...
:-)

Homens, vejam bem, vocês podem até responder, mas sinceramente não estou nem um pouco interessado no que vocês vão dizer. Tô perguntando pra mulherada que entra aqui Miki, Carô, Dani, Lili, e sei lá mais quem. Deixem aqui suas importantes reflexões sobre o assunto, por favor. Obrigado.

segunda-feira, novembro 10, 2003

Tava vendo o blog da Paulinha e vi um link muito legal, pra um outro site dela. Fala do que aconteceu com o Goonies. Eu pensava que todos eles eram loosers hoje em dia, mas não. Descobri que o Sam, do Senhor dos Anéis (o melhor amigo do Frodo, lembram?) era um Goonie e que o cara que fez o Cypher no Matrix (o que traiu todo mundo) - e que também fez Amnesia - era também um Goonie. O resto sim, é tudo looser, mesmo...

Ah, claro, tudo isso ao som de Cindy Lauper, disponível no site da Paulinha.
Como previsto, foi um dos fins de semana mais cansativos da história. No sábado, no fim da noite, eu estava realmente só o osso, mais nada.
O destaque foi encontrar o Rodrigo na balada de sexta, em uma festa fechadíssima. Foi providencial: tava chato pra caramba o lugar, e acabou sendo muito divertido. Acabamos até encontrando o Alain Prost e o verdadeiro Frotinha... (piadas internas)

Depois, sábado, era a inauguração do Atari Club, com o Kid Vinil como DJ. Foi interessante ver que ele é bem grosso e estrelinha, e o som dele, decepcionante.

De resto, alegria no futebol, muito som, muita tendinite (isso é uma bosta), etc. Mas valeu. Semana que vem tem show. Sábado à noite, na Robert Kennedy, minha banda de anarcopunk.

Eu numa banda de anarcopunk, tocando baixo... Esse mundo dá voltas, mesmo.

sexta-feira, novembro 07, 2003

Fim de semana
Pra começar, inúmeros ensaios, jantar em cantina italiana, balada, compras na Teodoro, festa da Carô, show da Paulinha, futebol, mais balada, mais ensaio, etc., etc.

Ufa... será que vai dar tempo de dormir um pouco???

quarta-feira, novembro 05, 2003

Ah, Alex, só pra chutar logo o balde, sobre o nosso papo alguns posts abaixo: até hoje não há consenso sobre a "qualidade" da nona sinfonia de Beethoven. Há, claro, os que a acham maravilhosa; mas há também os que a consideram uma obra exagerada, popularesca e irregular de um compositor genial, mas em fim de carreira, já muito prejudicado por uma deficiência auditiva em estado avançado.

Quem está certo? Quais os parâmetros usados por cada lado e quais são os corretos? Difícil precisar tudo isso, não? Por isso, prefiro a minha teoria, baseada na simples observação de fatos como esse (que se acumulam aos milhares): não há verdade absoluta nem parâmetros precisos, quando se fala em crítica de arte. Coloquemos nossas opiniões, sim (nunca vou abdicar delas, não se preocupe, caro Alex). Mas que elas sejam apenas isso: nossas opiniões. É um valor importante pra mim, a humildade de reconhecer esse tipo de coisa. Acho que todo mundo deveria fazer o mesmo.

Um mundo menos intransigente com certeza seria um mundo melhor.

terça-feira, novembro 04, 2003

Uma gata, o que é que tem?
- As unhas
E a galinha, o que é que tem?
- O bico
Dito assim, parece até ridículo
Um bicinho se assanhar
E o jumento, o que é que tem?
- As patas
E o cachorro, o que é que tem?
- Os dentes
Ponha tudo junto e de repente
Vamos ver no que é que dá

Junte um bico com dez unhas
Quatro patas, trinta dentes
E o valente dos valentes
Ainda vai te respeitar

Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer

Uma gata, o que é que é?
- Esperta
E o jumento, o que é que é?
- Paciente
Não é grande coisa realmente
Prum bichinho se assanhar
E o cachorro, o que é que é?
- Leal
E a galinha, o que é que é?
- Teimosa
Não parece mesmo grande coisa
Vamos ver no que é que dá

Esperteza, Paciência
Lealdade, Teimosia
E mais dia menos dia
A lei da selva vai mudar
Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer

E no entanto dizem que são tantos
Saltimbancos como somos nós
HAHAHAHAHA
Revista Veja desta semana:

"Um dos motivos de certa decepção provocada nos brasileiros é o contraste entre a luxuriante quantidade de promessas de Lula no campo social e uma execução medíocre, mesmo porque não há dinheiro no governo para milagres e os quadros petistas, na maioria, são fracos para produzir melhorias apenas à base de idéias criativas"

Reparem na expressão sublinhada. É o senso comum entrando no texto da Veja, não se sabe se porque a cabeça do editor é uma privada cheia de merda, em que entra qualquer coisa, ou se porque eles são parte da fábrica que cria esse tipo de idéia e dissemina entre o povo. Fico com a segunda opção.

Mas é hilário, ele tá falando de um programa social que tem apenas dez meses de vida e já está chegando ao patamar de 4 milhões de famílias miseráveis beneficiadas (e meta de 11 milhões até 2006 – Isso deve dar umas 55 milhões de pessoas pobres, num país com cerca de 170 milhões de habitantes), com muito mais recursos para cada uma do que nos oito anos de FHC. Então talvez ele ache que a execução dos programas sociais no governo FHC era melhor que isso... Aconselho os editores de Veja a conversar com pessoas que passaram fome nos últimos oito anos e agora recebem ajuda do governo pra falar sobre esse lance de "execução medíocre". Na verdade, aconselho eles a irem tomar no meio do cu!

É a maior revista do Brasil. É o maior serviço à desinformação do Brasil. Vão falar mal do Radiohead, que pelo menos aí vocês não estão lidando com a vida humana, seus filhos da puta.
O Lord morreu

segunda-feira, novembro 03, 2003

Separação

Em 1993, eu estava no 2º Colegial. Tava começando a tocar violão, começando a sair mais com amigos, começando a beber, etc., etc. Foi quando a gente ganhou o Lord.

Lord? Que Lord? Nunca falei dele aqui!

Pois é, o Lord é o meu pastor alemão. Meu, não, nosso, da minha família. Hoje, 10 anos e alguns meses depois, ele tá muito mal de saúde. E com ele, está mal também toda a minha família. Durante essa década, ele ficou com a gente, com o seu jeito ranzinza, quietão, mas ao mesmo tempo companheiro e dedicado. Nesses 10 anos, muita coisa aconteceu comigo: muitas baladas, algumas namoradas, brigas, etc. E sempre, depois de tudo, chegar em casa e encontrá-lo deitado na sala, como sempre, e dizer simplesmente “Oi, Lord!”. Ele não respondia, claro, nem com um latido, mas o olhar já bastava pra quem tava cansado de lidar com gente.

E as namoradas que eu tive? Que conheceram ele, tiveram medo dele, começaram a gostar dele, fizeram carinho nele e depois simplesmente esqueceram dele? O Lord não perdoou isso. Nem eu :-). E se eu dissesse pra elas hoje “O Lord tá mal”. Será que elas lembrariam de tudo e ficariam tristes e sentiriam a sua falta? Com certeza, não sentem, não. Não sei como, mas não sentem.

O Lord viu tudo isso, a vida de todos nós em uma década. O que será que ele pensa de tudo isso? Será que um pensamento, por mais simples que seja, conseguiu brotar da sua mente irracional? Porque da minha, em dez anos, brotou só um pensamento latejante, que de tempos em tempos volta e me atormenta: a saudade é foda. É foda. É foda. É foda...
Alex, valeu pelos 10 minutos de paciência, no sábado. Você foi legal, foram os 10 minutos que salvaram a balada! Obrigado mesmo, tô te devendo essa!
Como eu disse num comment aí embaixo, podem me cobrar: eu não pretendo mais escrever “bom” ou “ruim” para designar um artista ou banda. Isso é uma coisa que sempre me incomodou e que eu já queria fazer a algum tempo, mas só agora estou conseguindo me propor isso oficialmente.

Desde que eu tenho 15 anos eu aprendi com o meu professor de História (o Gama) que esse negócio de bom ou ruim é bobagem. É totalmente subjetivo: uma música do É o Tchan, por exemplo, pode ser excelente pra uma menina que gosta desse tipo de som, porque a deixa feliz, contente, eventualmente pode despertar a paixão dela pela dança popular e, quem sabe, até motivar o encontro com o homem da sua vida numa balada de axé.
Nos meus próximos textos, vou continuar privilegiando uma análise descritiva (que, claro, mesmo assim, não vai poder deixar de mostrar o meu ponto de vista; a diferença é que ele não será, ali, o centro da análise).

Porque é o seguinte, meus amigos: nenhuma música é boa ou ruim. Beatles pode ser excelente pra milhões de pessoas, mas estimulou os assassinatos de Charles Manson, nas décadas de 60. Da mesma forma, É o Tchan, Menudos, Sidney Magal, etc. podem ser deprimentes para nós, mas representaram algo muito positivo na vida de milhares (ou milhões) de pessoas. Elas estão felizes com esse som. E por que não estar? Critiquemos, sim, a indústria cultural, que aliena as pessoas tocando apenas alguns estilos musicais e causando o extermínio de riquíssimas culturas populares. Mas não rotulemos as músicas e os artistas como bons ou ruins. Porque simplesmente NÃO SABEMOS! E por que não ter a humildade de reconhecer isso?

Os artistas estão livres pra criar, em cima de influências múltiplas e obtendo resultados igualmente múltiplos. Defender essa multiplicidade talvez devesse ser a meta do crítico musical. Isso é defender a arte, a livre expressão, a cultura. Rotular artistas subjetivamente, desqualificá-los em cima de argumentos duvidosos e recomendar um estilo musical ou toda uma parcela de ricas culturas ao lixo, isso é burrice. E eu não pretendo mais compactuar com isso.

UPDATE: Antes de ir dormir, me lembrei: quando eu comecei a tocar violão, com 14 anos, eu achava que música boa tinha que ter muitos acordes. Daí eu ficava contando, naquelas revistinhas de banca, quantos acordes tinha a tal da música. Se tivesse mais de quatro, era boa. Quando eu comecei a tocar bateria, achava que as melhores eram as que tinham a maior quantidade de compassos. Tem muito crítico que não toca nada, daí então acha que as melhores músicas são as que têm as melhores (segundo seu gosto pessoal) e a maior quantidade de influências. Tudo bobagem... Não há parâmetro a partir do momento que cada um, em cada momento da sua vida, tem o seu próprio parâmetro.
Acho que o melhor é esses críticos reverem seus conceitos. A não ser que alguém me convença do contrário...