segunda-feira, abril 30, 2007

Marcha o homem sobre o chão
Leva no coração uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão de infinita beleza
Finda por ferir com a mão
Essa delicadeza a coisa mais querida
A glória da vida


É, meus amigos... Entrevista excepcional com o economista chileno Manfred Max-Neef. Vale a pena dedicar um tempo para lê-la. Provavelmente você não pensará tanto no PIB nas próximas eleições...

Instituto Ethos: O senhor acredita que o crescimento econômico, após atingir um determinado ponto, tem efeito negativo para a sociedade?
Manfred Max-Neef: Segundo a Teoria do Umbral, que criei com meus colegas há 15 anos, o crescimento econômico está alinhado à qualidade de vida de uma sociedade somente até certo ponto. Depois disso, a tendência é que ele se torne maligno ao bem-estar das pessoas. Essa teoria foi comprovada em todos os países onde realizamos o estudo, como Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, Suécia, Áustria, Dinamarca, Chile e Tailândia. Todos eles tiveram um grande período de crescimento econômico e desenvolvimento até o ano de 1970. Após essa data, o nível de qualidade de vida da população começou a cair. Para obter esse resultado, comparamos a curva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) com a de outro índice, o Genuine Progress Indicator (GPI), que mede a qualidade de vida. Por meio de gráficos, percebemos que o crescimento econômico continuou aumentando, enquanto o GPI apresentou queda. Para mim, o PIB é um indicador muito curioso, no qual tudo pode ser somado sem levar em conta o que é bom ou o que é ruim. Por exemplo, os acidentes de carro, o aumento do consumo de serviços médicos e as epidemias são fantásticos para o PIB. No GPI o método é outro. Soma-se tudo aquilo que tem impacto positivo para a sociedade e deixam-se de lado os aspectos negativos, como os custos de poluição e de degradação do solo. O GPI também soma exterioridades que não são consideradas pelo PIB, como o trabalho doméstico e o trabalho voluntário. O PIB é um índice machista, pois para ele a parcela de mulheres no mundo que trabalha em casa (80%) não é considerada. O trabalho de uma pessoa que caminha quilômetros a fim de buscar água para sua família também não é acatado. Ou seja, o PIB não reflete o desenvolvimento da sociedade. Se o PIB de São Paulo for examinado durante 20 anos, vamos perceber que grande parte do investimento é destinado a corrigir problemas gerais decorrentes do crescimento excessivo da cidade. Essa verba poderia ter sido aplicada em outro projeto de maior utilidade para a sociedade. O crescimento após determinado momento se torna antropofágico.


Instituto Ethos: O senhor costuma dizer que as empresas estão amarradas num modelo do século passado. Como seria a empresa ideal para o momento em que estamos?

MM-N: Eu fiquei muito impressionado com uma indústria brasileira que visitei num desses dias, que é a Natura. Tive a percepção de que lá tudo está concentrado nas pessoas. A água consumida é reciclada. O que a empresa produz não afeta a natureza. Ela consegue explorar os recursos do próprio país. Todos os aspectos são coerentes com os princípios sustentáveis e com uma economia humanizada. Para muitas outras empresas, o mais importante é o lucro. A custo de quê? De explorar o trabalhador e destruir a natureza. Para mim, a empresa deste momento é aquela que coloca a economia a serviço das pessoas, e não o contrário.

Agência Sebrae: O senhor comentou sobre uma grande empresa. Mas como os pequenos negócios podem se adequar a esses padrões sustentáveis?
MM-N: Sozinhos não podem fazer grandes mudanças. É preciso uma política de Estado que estimule as boas práticas. A grande empresa pode fazer muitas coisas sem a permissão de ninguém, mas o pequeno precisa ser visto dentro de um contexto global. Uma das condições fundamentais para se ter uma boa economia e uma sociedade sustentável é modificar drasticamente o sistema tributário. Defendo que os impostos devam ser tributados de acordo com a energia que a empresa consome e não com o que ela ganha. Por que querem castigar alguém por trabalhar? Esse castigo deveria ser para quem consome muita energia ou para quem tem muitos automóveis. Se isso fosse feito, todas as empresas iriam descobrir formas de consumir menos energia. Já com o sistema tributário corrente não há nenhum estímulo nesse sentido. As empresas procuram o contador apenas para descobrir o que podem fazer para pagar menos impostos. Se as empresas fossem tributadas a partir do que elas gastam com energia, haveria uma grande mudança no sistema de comércio atual, que eu considero absurdo em termos ambientais. Qual o sentido de o Brasil exportar e importar sabão ao mesmo tempo para um mesmo país? A região em que vivo, no Chile, é uma grande produtora de leite, e mesmo assim você encontra no mercado local manteiga fabricada na Nova Zelândia. É um absurdo a quantidade de CO2 gerado sem necessidade para trazer esse produto de tão longe. Acredito que os processos econômicos devam ser analisados a partir da perspectiva dos gastos energéticos. A globalização acontece porque gera crescimento para o PIB, mas é um agressão à biosfera.

Instituto Ethos: Qual é o papel das universidades nesse contexto, que exige mudanças de comportamento da sociedade?
MM-N: A universidade não está cumprindo o papel que deveria. Ela deixou de ser uma instituição orientadora, que fazia críticas à sociedade, para se converter numa máquina a serviço do mercado. A universidade é cúmplice de um mundo que ela não aprova. Considero um escândalo o modo como a economia vem sendo ensinada dentro das escolas e como ela é aplicada na prática. Estou profundamente decepcionado com o que aconteceu com essa disciplina. Como é possível educar um economista hoje com livros clássicos que não contêm palavras como ecossistema e natureza? Como é possível aceitar que a economia se considere um sistema fechado, sem nenhuma relação com outros sistemas? Um economista não pode ignorar o funcionamento do ecossistema. Se isso ocorre, a responsabilidade é da universidade. Para ensinar aos alunos temas relacionados ao meio ambiente, o professor precisa fazê-lo por fora, como subversivo.

FNQ: O senhor se considera um otimista ou um pessimista?
MM-N: O pessimista acredita que já não há mais nada a fazer, enquanto o otimista não faz nada porque acha que o mundo está ótimo. Eu me considero um pessimista ativo. Creio que as coisas não estão bem e que precisamos nos adaptar a isso da melhor forma possível. É preciso surgir neste século a filosofia da solidariedade. Estamos todos na mesma situação. Se não formos solidários, não estaremos preparados para as condições desse novo planeta. Não ser solidário é estúpido e um mau negócio.


Instituto Ethos: Na opinião do senhor, de que forma as mudanças climáticas afetarão os povos da América Latina?

MM-N: Calcula-se que pelo menos 2 milhões de pessoas terão grave carência de água, porque o aquecimento global vai afetar as neves eternas dos Andes e a grande maioria das cidades localizadas nessa região é abastecida por águas de degelo. Isso vai provocar uma migração sem precedentes. E para onde irão essas pessoas? Quem vai abrir as portas para tanta gente? Enfrentaremos um problema de solidariedade muito forte. Mas a tendência é que se levantem muros. É muito brutal que essa filosofia de cobiça e acumulação continue existindo.

Instituto Ethos: Por que o senhor costuma dizer que acredita mais nos empresários do que nos políticos?
MM-N: Há 30 anos eu fiz parte de um setor que acreditava que os empresários eram os maus da história e nós é que éramos os bons. Somente quando comecei a me abrir para o diálogo com as empresas é que percebi que estava completamente equivocado. Descobri que a grande maioria dos empresários quer dialogar e está sempre aberto a mudanças. Usando argumentos concretos, é possível convencê-los do melhor caminho a seguir. Já com os políticos é diferente. Eles estão sempre pensando no próximo ano e nos números que lhes interessam.

FNQ: E por que, mesmo sabendo disso, o senhor foi candidato à presidência do Chile, em 1993?
MM-N: A primeira coisa que eu disse quando me candidatei à presidência de meu país foi que eu não tinha nenhum interesse em assumir o cargo. Minha candidatura foi uma desculpa para colocar em pauta assuntos que não faziam parte das discussões políticas. Apenas quis ser o candidato dos temas ausentes.


Instituto Ethos: O senhor acredita que os governos na América Latina estejam incluindo a sustentabilidade em suas pautas?

MM-N: Acredito que poucos têm consciência do que está acontecendo. A Costa Rica, por exemplo, é um lugar que já despertou para o problema. O país tem muitas iniciativas que visam a sustentabilidade e melhor uso dos recursos ambientais. Mas ainda é muito pouco. Deveria haver muito mais. O Brasil é um caso extraordinário. Vocês têm uma responsabilidade histórica descomunal, porque são donos da maior biodiversidade do planeta. E o que estão fazendo? A Amazônia continua sendo destruída, porque a obsessão pelo crescimento econômico é muito maior.

sábado, abril 28, 2007

Tá complicado. Hoje eu tô trabalhando em 4 áreas da empresa, cada uma com um diretor diferente: Comunicação Interna, Projetos de Software, Sustentabilidade e Treinamentos. E nem posso dizer que caiu na minha cabeça, eu que fui indo atrás disso (menos Comunicação Interna, ironicamente, já que eu sou um jornalista).

Vai ser um grande aprendizado, só espero não ficar louco com tanta coisa, tão diferente, pra resolver a cada dia.

quarta-feira, abril 25, 2007

Bom, só pra deixar claro, o que eu falei abaixo sobre programadores é só brincadeira. Respeito demais a galera, cujo conhecimento é de deixar qualquer um com o queixo caído.

Só que as expressões que eles inventam sem nem reparar são realmente muito engraçadas...
Parece que tá chegando a hora de eu vender meu querido Fiestinha branco. Que coisa, achei que ia poder ficar com ele mais alguns anos.

Ele foi sem dúvida o carro com que eu fui mais feliz. Nada do monte de batidas que eu dava com o Elba (que era incapaz de freiar direito), ou de sustos, como a Parati, que se deixou roubar com vários instrumentos musicais dentro.

O Fiesta só não é perfeito porque é movido à gasolina. Mas ele não tem culpa, nasceu assim. Espero que o novo dono faça bom uso dele. E que o seu substituto seja pelo menos tão bom quanto o pequeno gigante de motor Rocam.

sábado, abril 21, 2007

Três jargões interessantes desse mundo de garotos e garotas de programa. Se você vai participar de algum encontro ou evento com programadores, use-os bastante, e não se sentirá deslocado:

- "Senhores" - Cada frase deve começar este vocativo. Além de transparecer maturidade, responsabilidade e sobriedade, é uma expressão típica de programadores. Não importa se só há mulheres na sala (o que é praticamente impossível nesta área) ou se só há moleques de 15 anos, você sempre deve tratar a todos por "Senhores".

- "Cara" - Não, aqui não se trata de mais um vocativo. É sempre "Esse cara", e não, não é nunca uma pessoa. "Esse cara" pode ser coisas tão "triviais" como uma classe em C#, uma entidade de banco de dados, um método ou atributo de classe, enfim, coisas simples assim. Não importa o que você esteja vendo na tela, se parecer grego, chame de "esse cara", e o pessoal vai começar a te respeitar.

- "Tipicamente" - Não achei no dicionário, mas tudo bem. Como tantas outras, veio do inglês, "Typically", e pegou com tudo entre os programadores. Troque sempre "Geralmente" por "Tipicamente", e já poderá ser promovido a Arquiteto de Software.

Enfim, são coisas que a gente aprende no dia-a-dia e fazem uma grande diferença na hora de fazer nosso "marketing pessoal"...

sexta-feira, abril 13, 2007

O que será que acontece no mundo quando eu canto essa música????

terça-feira, abril 10, 2007

Caramba, eu tô com 29 anos, mas parece que é mais. Parei ontem pra lembrar algumas coisas que pareciam de uma outra encarnação. Pelo menos eram lembranças felizes pra caramba, dos tempos de ULM. Como foi legal passar 4 anos naquele lugar!!

Lembrei das esperas pelas aulas, durante a tarde, quando eu ficava tocando e compondo no saguão e no pátio. Das práticas na Orquestra de Violões, eu mostrando minhas músicas na escadaria. Do meu violão patético, velho e todo quebrado, de estimação, que eu tinha a cara de pau de levar para os ensaios, enquanto todos usavam seus instrumentos clássicos e bem cuidados. Do dia em que, do nada, eu resolvi tocar uma música minha no meio da apresentação da Orquestra, com meu pai na platéia, usando sempre o mesmo velho violão. Dos almoços simples e maravilhosos no restaurante da esquina, todos os dias: lá o menu era sempre o mesmo, mas como era bom encher o prato com creme de milho, batata frita e frango.

Foram 4 anos mágicos, realmente, e ontem parecia que não era mais eu, 8 anos depois. Só que, no fundo, sou eu sim, (im)perfeitamente igual. Só queria quem sabe ter tempo suficiente pra poder de vez em quando pegar meu violão, sentar numa escadaria, e tocar violão, enquanto espero mais uma incrível aula de música.

segunda-feira, abril 09, 2007

É verdade que hoje em dia tenho um ou dois leitores, que comentários aqui são raros e que mesmo minha disposição para postar já não é a mesma. Claro, não poderia ser diferente, afinal blogs não são mais novidade e nosso tempo hoje é muito mais escasso do que era no começo da década.

Só que, mesmo com tudo isso, eu não me importo. O legal é postar as coisas conforme elas vão acontecendo ou passando pela minha cabeça, continuar montando esse registro de vida, pra que eu possa continuar checando meus arquivos e me surpreendendo com alguma besteira que eu fiz ou escrevi nos longínquos 2002... É a mesma coisa que um diário normal, só que aqui de vez em quando alguém pode passar pra me dar oi, outros podem achar algo interessante pelo Google... Enfim, vale a pena. Vou continuar escrevendo sejam zero comentários por mês ou 200, sejam 6 posts por dia (como fazia no começo) ou 1 por semana. Eu posso estar sem tempo, mas continuo com a mesma vontade de me meter em absolutamente todos os assuntos, especialmente aqueles sobre os quais eu não sei absolutamente nada :-).

sábado, abril 07, 2007

É tão bom se surprender com um filme... Fui ver "300" esperando um filme de guerra com belíssimo visual e nenhum conteúdo. E o que vi foi uma história muito legal, e realmente com belos efeitos visuais. O Alex completou a noite com explicações históricas sobre a batalha contada no filme. Na Internet, achei algumas outras curiosidades:

- A voz do Xerxes é realmente do Rodrigo Santoro, mas alterada para parecer mais grossa.

- Esparta estava muito longe de ser uma sociedade de "homens livres" como o filme coloca. Na verdade, existiam 7 ou 8 escravos para cada espartano livre. A diferença é que eles não iam para as batalhas, como os escravos persas.

- Na batalha morreram 20 mil persas e só 1.500 gregos. Isso é que é vitória moral!

- Xerxes na verdade era barbudo e nunca participava de uma batalha.

- A colocação de Heródoto de que Leônidas mandou os gregos irem embora "para ficar com a glória toda para Esparta" é meio parcial, porque ele era pró-Atenas.

- Na verdade, até o final não ficaram apenas os 300 de Esparta, mas também 700 de Téspias, que se recusaram a voltar.

- A pós-produção do filme durou quase 1 ano! Entre outras coisas, usaram Avid, Final Cut Pro, Maya, XSI, Lightwave, Shake, Inferno, Fusion e Combustion, usando Macintosh e Linux.

Os únicos pontos negativos foram um pouco de excesso de violência e uma tentativa forçadíssima de fazer uma relação com a guerra EUA x Iraque (Frank Miller é declaradamente direitista e a favor da invasão do Iraque). Mas mesmo assim, o saldo final é bem positivo.