quarta-feira, janeiro 20, 2010

E foi só a poeira baixar pro dito "padrão de beleza" (pra mim é mais padrão de feiúra) das passarelas de moda voltar a forçar um verdadeiro crime contra a saúde de meninas menores de idade que sonham em ser modelos.

Textos da Folha sobre o estado lastimável das modelos no SPFW. Algumas tinham até dificuldade para andar!

Hipermagreza domina passarelas da SPFW

De tão magras, modelos chegam a andar com dificuldade

Por peitos e bundas na São Paulo Fashion Week

Acho que já está mais do que na hora de se criar uma lei regulamentando o trabalho de modelos no Brasil, exigindo um índice de massa corporal saudável para exercer a profissão. Não dá pra esperar que o próprio "mercado" ou os pais tenham bom senso e capacidade pra cuidar da saúde das meninas...

terça-feira, janeiro 19, 2010

É muito conveniente para a indústria cinematográfica divulgar seus rankings sem correção de inflação. Assim fica fácil produzir um grande destaque a cada 10 anos, ou menos.

O fato é que o tão propalado sucesso de Avatar (filme atualmente 3º no ranking histórico, com chances de tirar a liderança de Titanic) cairia para uma modesta 40ª posição se tal ajuste fosse feito...

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Esse fim de semana assistimos à sensação da temporada, Avatar. Gostei bastante do filme, principalmente pelos efeitos, claro (também, nunca tinha visto cinema 3D, e é realmente muito divertido).

Só que, enquanto todos falam que a história em si não vale nada, eu achei que não é bem assim. Claro que é super “dicotômica” (pra usar o termo da Djá), que os personagens não têm profundidade, que boa parte do filme é só feita de explosões, isso tudo é o padrão de filmes de ação hollywoodiano que já conhecemos. Mas parem pra se perguntar: quando você já viu um filme de Hollywood com produção caríssima, do tipo arrasa quarteirão, que coloca o típico americano como vilão, e não como o mocinho? Que apresenta o ideal de desenvolvimento capitalista americano como sendo extremamente cruel, egoísta e um potencial destruidor planetário? Não acontece a costumeira aparição da bandeira dos EUA no filme, mas se houvesse, ela seria queimada pelos mocinhos!

Isso dá mais uma amostra de como o pensamento do primeiro mundo vem mudando com relação ao seu próprio papel em relação à sustentabilidade do planeta. O filme é de James Cameron, ok, mas a proposta tem que ser aprovada por produtores e grandes indústrias patrocinadoras. Só o fato de um filme desse porte com essa temática existir, já seria impensável alguns anos atrás.

Já não era sem tempo pra começar a acontecer essa mudança, essa autocrítica mais explícita no cinema mainstream dos EUA (porque, mesmo se considerarmos filmes premiados como Beleza Americana, temos que ver que se tratavam de produções de baixo orçamento).

A propósito: é interessante também notar que, ao contrário dos filmes de ações típicos, a história que o filme conta não é nem um pouco irreal. Basta voltarmos alguns séculos atrás e olhar para a história do nosso próprio continente...

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Isso dá uma boa medida do porquê o Haiti é o que é.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Ainda sobre o post anterior.

Uma das coisas mais interessantes de ler um livro da década de 70, e depois outro do mesmo cara de 2005, é ver as mudanças de visão, especialmente num tema tão polêmico e complexo como as mudanças climáticas.

A base de pensamento do Lovelock é a mesma, nesses 30 anos. Mas conseguimos ver um exemplo de como a ciência mudou, de um pensamento mais confiante na capacidade do ser humano, para outro muito mais alarmada com as condições atuais.

No livro de 1979, Lovelock falava que o homem seria como o guardião, o cérebro de Gaia (Terra), e que sua tecnologia teria total capacidade de controlar seu próprio impacto sobre o planeta. Bastava sermos cautelosos e vigilantes.

Pelo jeito não fomos, porque em 2005 o autor passa pra uma visão cataclísmica, em que o homem, agindo como um câncer, ultrapassou o ponto de não-retorno, e agora vai sofrer consequências drásticas neste século, não importa o que faça. Desenvolvimento sustentável passa a ser uma palavra bonita, se fosse aplicada um século atrás. Hoje, é apenas ilusão (Lovelock sustenta que hoje a Terra não aguenta mais desenvolvimento algum, portanto não existe o tal Desenvolvimento Sustentável).

A solução estaria apenas em medidas drásticas e espetaculares, como máquinas capazes de capturar e enterrar o carbono no subsolo. Enquanto isso não se viabiliza, precisamos urgentemente passar toda a geração de energia para nuclear (algo com que não concordava, mas a que ele me convenceu).

O fato é que o impacto foi mesmo maior do que a ciência esperava. Se tivessem sido mais enfáticos, e tivessem dados mais concretos em mãos há 30 anos, talvez não estivéssemos passando por isso hoje. Ou talvez, dada a capacidade do ser humano de ignorar ameaças a longo prazo, nada disso adiantasse.

Abaixo, alguns trechos que escolhi do livro Gaia: A New Look at Life on Earth, de 1979:

























segunda-feira, janeiro 11, 2010

Só nesse começo de ano, já li 2 livros. É tão bom voltar a ler bastante de novo!

Sempre que isso acontece, sinto a mesma sensação que a gente tem depois de ir pra academia. :-). Dá aquele conforto de ter feito um bem pra si mesmo, de ter vencido a preguiça. E é a mesma coisa, realmente, porque ler um bom livro é o melhor exercício que existe pra mente.

Os dois livros que li são ótimos, do mesmo autor, e sobre o mesmo tema. “Gaia: um novo olhar sobre a vida na Terra” e “A Vingança de Gaia” são de James Lovelock, um cara (na verdade um cientista tão conceituado quanto polêmico) que defende a idéia de que a Terra se comporta como um organismo vivo. No começo, ele foi muito ridicularizado por seus colegas. Hoje, muitos concordam em parte com suas teses.

A grande questão é que confundem a teoria dele com dizer que a Terra está viva e consciente. Não é isso. O que Lovelock afirma é que a Terra “se comporta”, muitas vezes, como um organismo vivo, especialmente pelo fato de possuir diversos mecanismos de auto-regulação do seu ambiente químico e físico (um exemplo são os processos que controlam as taxas de oxigênio no ar). Nos livros, ele detalha estes processos. Não se trata de um lunático qualquer: suas pesquisas têm auxiliado na resolução de diversos problemas relacionados aos ciclos químicos terrestres, como aconteceu no caso da contaminação do ar com aerossóis.

Pra mim, o que ele afirma não é surpresa. Quanto mais leio sobre ciência, mais fico convencido da necessidade de haver um criador, ou criadores, para tudo que vemos à nossa volta. E portanto, se há um criador, então deve haver uma inteligência por trás de tudo o que constitui a Terra ou o Universo.

Eu sei que pode parecer que estou indo pra uma discussão religiosa, mas não se trata disso. Trata-se de ver que as coisas funcionam de forma muito perfeita para serem simplesmente fruto do acaso. Há toda uma precisão nos processos e movimentos que mantêm a Terra em equilíbrio, e isso é fato comprovado, assim como é fato que estamos começando a perturbar esse equilíbrio. Quem sabe o Universo todo não é apenas uma simulação, um modelo sendo testado por outros seres?

Sempre fiquei muito intrigado com essas questões, e sabemos que a ciência, por mais que vá até o Big Bang, é bastante limitada para explicar a origem de tudo. Daí minha crença apenas parcial nela. Sei que é capaz de explicar as regras que regem o funcionamento das coisas. Mas quem criou estas regras, isso ela ainda está há anos-luz de responder.

domingo, janeiro 10, 2010

Desde criança sou fissurado nas histórias de Sherlock Holmes. Ao contrário dos outros livros policiais, aquele sim me parecia real. Cada descoberta do detetive era explicada, e a gente conseguia acompanhar como funcionava aquele incrível poder de dedução. Eram os únicos livros policiais que eu achava realmente inteligentes.

Essas foi minha introdução à leitura, e recém-saído do primário já tinha lido todos os livros dele. Então, é claro que tinha que ir assistir ao novo filme.

Não consegui ver até o final, graças a uma confusão absurda no cinema do Santa Cruz (também, quem manda ver filme em Shopping...). Acabou a luz, e tivemos que pedir o dinheiro de volta. O fato é que não foi preciso ver até o fim para perceber: mudaram tudo. Sherlock Holmes é retratado de forma toda inversa, física e psicologicamente, assim como Watson. Há passagens extremamente desagradáveis para os fãs, como a que Watson realiza deduções bem antes de Holmes, quase humilhando-o. Além disso, Irene Adler passa a ser também uma "adversária" mais sagaz que o detetive (nada a ver com a história original).

Ao Holmes, resta o papel de um bobão presunçoso e maltrapilho, cuja maior habilidade é a de lutar já realizando o diagnóstico das lesões que opera em seu oponente (coisa um tanto ridícula e jamais retratada nos livros).

Não se trata de conservadorismo, estou apenas tentando entender: por que fazer um filme chamado Sherlock Holmes com tão adorado personagem, se não se pretende usar as figuras originais? Seria mais coerente e honesto inventar então personagens novos, com outros nomes. Assim, os produtores economizariam no pagamento de royalties, ao mesmo tempo em que poupariam os fãs do desconforto de sair de suas casas, pagar R$ 30, enfrentar cinema cheio, problemas de falta de luz, etc. para assistir a um filme como esse, quando muito melhor seria gastar o mesmo tempo relendo Um Estudo em Vermelho...

terça-feira, janeiro 05, 2010

Michael Crichton, como muitos devem saber, é o cara que escreveu o "Jurassic Park", o "ER", e outras coisas do tipo. Ficou muito famoso por misturar ciência e ficção, de forma a fazer o público acreditar nas suas histórias como se fossem ciência verdadeira.

Ele não inventou esse truque, mas com certeza o popularizou muito durante as últimas décadas, pois a partir daí tivemos os fenômenos "Código Da Vinci", "Lost" e tantos outros. É nesse estilo que se baseia grande parte dos sucessos atuais da TV americana.

Em um dos seus "geniais" escritos, "State of Fear", Crichton faz extensivo uso de notas de rodapé e apêndices, para dar ainda mais impressão ao leitor de que está diante de um livro de não-ficção. Mas o pior não é isso: é o fato de que o leitor médio, mesmo o americano, passa a acreditar no que esses caras dizem. A ponto de Crichton ter começado, a partir de então, a ser convidado para dar palestras e entrevistas sobre temas altamente complexos como o Aquecimento Global, pregando religiosamente o ceticismo, e indo inclusive ao Senado americano falar sobre o assunto!

Al Gore comentou com seu habitual sarcasmo: "The planet has a fever. If your baby has a fever, you go to the doctor [...] if your doctor tells you you need to intervene here, you don't say 'Well, I read a science fiction novel that tells me it's not a problem'"

Em vez de ler algum livro sério, de um cientista respeitado e estudioso sobre um assunto tão importante, as pessoas vão atrás de diversão banal disfarçada de ciência. Claro, assim se divertem enquanto ganham argumentos para poder posar de intelectuais nas rodinhas de amigos. Ler não-ficção dá muito trabalho...

Deveria haver algo que protegesse o público mediano de conteúdo deste tipo. Um disclaimer gigante na capa não seria má idéia: "Este é um livro de Ficção. O autor declara não ter autoridade científica para se posicionar sobre os assuntos aqui tratados. Para referências científicas, consulte bibligrafia adicional ao final do livro". Quem sabe assim, bem explicadinho, as pessoas entenderiam o que deveria ser óbvio...

sábado, janeiro 02, 2010

Principios, Honestidade, Felicidade, Respeito à Terra. Essas sao minhas resoluções para 2010!