domingo, abril 25, 2010

No dia 5 deste mês, os pais que separaram o caderno Folhateen para suas filhas menores de idade lerem, achando que havia ali conteúdo educativo e edificante, ficaram "muito satisfeitos" pelo jornal ter mostrado a elas uma "nova forma de ganhar dinheiro fácil".

A Folha de São Paulo, o maior jornal do país, publicou isso na sua seção dedicada a adolescentes (portanto menores de idade). A reportagem foi a capa do caderno com a manchete "Muito Prazer" e ocupou 2 páginas internas.


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Faturando com sensualidade

Shows sensuais na webcam, venda de calcinhas usadas e ensaios fotográficos rendem grana extra a meninas, mas podem acabar em preconceito

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Há três anos, Priscila*, 26, e o namorado estavam na Tailândia e começaram a pensar em "formas divertidas de ganhar dinheiro". Até que ele veio com a proposta indecente: conhecia quem pagasse, e bem, para assistir ao casal transar, ao vivo.
"Meu receio foi de encontrar um psicopata", conta Priscila. Medo que, após a primeira experiência, só fez encolher. "Foi tão tranquilo... Era um garoto bem nerd, gordinho."

A partir daí, fermentou a ideia de transformar o sexo em ganha-pão -ainda que sem transar com outras pessoas. Quando foi para Nova York com o mesmo namorado (ainda estão juntos), decidiu vender calcinha usada -"ouro" entre grupos com fetiche pelo objeto. Ela oferecia a mercadoria em um site especializado e marcava com o comprador em lugar público para entregar a calcinha -que comprava por US$ 2, usava e vendia por US$ 60.

Voltou ao Brasil e mudou o método. Enquanto seus pais, "que nunca falaram de sexo na minha frente", dormem, Priscila se tranca no quarto e gerencia um site montado por um amigo designer. É por essa URL que ela negocia de shows sensuais na webcam (US$ 50 por 15 minutos) a fotos explícitas.

Para Raquel*, 22, exibir-se na webcam também ajudou a turbinar a conta bancária. Em 2008, ela viu nos classificados a vaga de "chat hostess" para "meninas com boa aparência e inglês intermediário". Foi lá "para ver qual era" e achou uma empresa na Vila Olímpia, bairro chique de São Paulo. Lá, garotas, cada uma em sua salinha, conversavam com "clientes gringos" pelo computador a US$ 2,99 o minuto (metade do dinheiro ficava com a "hostess"). Durante o bate-papo, ela podia mostrar partes do corpo, dançar e até se masturbar na frente da webcam. Quanto mais tempo segurasse o cliente, mais seu bolso agradecia. "Sempre tive curiosidade de saber como o sexo oposto pensa. Acabei me jogando." Mas, na primeira semana, um freguês não parou de gritar "mostra as tetas!", e ela se jogou mesmo foi no choro. Durou um mês no trabalho, o que lhe rendeu "uns R$ 700".

A estudante de rádio e TV Mari, 22, foi mais longe. Em 2007, ela passou três meses trabalhando em empresa parecida com a de Raquel, só que em São Bernardo do Campo (SP). "No último mês, quando já sabia que ia sair, trabalhei muito para ganhar mais, mostrei muita vagina na webcam!", diz Mari, às gargalhadas. Ela abandonou o trampo por um namorado. "Ele não gostava, aí me emprestou dinheiro para sair dessa. Acabei torrando o salário em roupas!"

Jéssica, 19, não tem namorado que a amole. Em clima de boteco com amigos, costuma conversar com os colegas sobre suas aventuras na pornografia -ela estuda design de moda na Uniban, onde uma turba de alunos açoitou Geisy Arruda e seu vestidinho rosa indefectível. Sua turma, garante, "encara numa boa" o ensaio fotográfico que ela fez para o site da Xplastic, maior produtora de altporn (pornô indie) do país.
Pelas fotos, Jéssica ganhou R$ 300, usados mais tarde em uma viagem a Paris.
Não foi o dinheiro, contudo, que levou a tatuadíssima (e com a língua bifurcada, depois de uma operação) "Xgirl" (então com 18 anos) a posar nua. "Sacanagem é minha praia."

Fácil, extremamente fácil
"Essa aí deve ser fácil!" Taí uma frase que, vira e mexe, meninas envolvidas -de formas mais ou menos diretas- com o pornô escutam. O preconceito não vem só da ala masculina. Quando uma amiga de Priscila descobriu sua fonte de renda "pouco digna", preferiu se afastar. Priscila rebate: "Posso contar nos dedos da mão os caras com quem transei. Ela, não".
*Nomes fictícios

Jéssica, 19
Assim que atingiu a maioridade, a estudante de moda da Uniban posou nua para o site de uma produtora pornô. Desconfia que a mãe saiba do ensaio, mas prefere não tocar no assunto com a família: "Para não gerar polêmica. Pelo que conheço, vão falar que é coisa de menina sem-vergonha"

Lola, 20
A paulista é produtora de filmes eróticos e do EVA (Erotika Video Awards, premiação que começa na próxima segunda, em São Paulo). Mesmo trabalhando nos bastidores, ela já recebeu, quando participou de uma feira erótica, três convites para posar nua. "E nem tenho o perfil! Cabelo curto, acima do peso..."

Mari, 22
Hoje dona dos blogs "Vulva em Fúria" e "Pornolândia", ela já fez parte de uma empresa que empregava meninas para trocarem uma ideia, por chat, com homens dispostos a pagar por isso. O trampo consistia, basicamente, em conversar fazendo "caras e boquinhas" e às vezes "se masturbando"


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Incrível a falta de noção de editores e da jornalista, na hora de escolher o tom e enfoque da matéria. Só faltou dizer com todas as letras "Vamos lá, meninas, o que estão esperando para ganhar dinheiro fácil na Web???". Dá até impressão de que estão ganhando dinheiro das tais agências, pra ajudar no recrutamento de novas "profissionais do Sécsu". A escolha das manchetes pra tratar do tema (considerando que estão se comunicando com menores de idade) foi terrível!: "Muito Prazer" e "Faturando com sensualidade". O foco é quase total nas vantagens financeiras (com farto uso de números).

É verdade que há um pequeno quadro, ao final e sem destaque, com a opinião de psicólogos. Mas isso fica completamente apagado em comparação à matéria, especialmente na versão online (em que o tal contraponto se localiza em outra página).

Mais impressionante ainda é ver as fraquíssimas respostas do jornal aos emails indignados dos leitores, tanto na seção de cartas da editoria quanto da nova ombudsman, que assumiu hoje (e portanto talvez ainda não esteja tão à vontade no cargo para criticar duramente uma reportagem tão falha quanto essa).

Já vi jornais de faculdade cometerem lambanças como essa, mas o maior jornal do país... Dá bem uma medida de como anda perdido o jornalismo impresso brasileiro.

Obs: links para as respostas da Folha, na seção de cartas e ombudsman (para quem tem senha de acesso):
Cartas do Folhateen
Resposta da Ombudsman

sábado, abril 17, 2010

Olha só a estrutura que a Dilma vai ter por trás da sua campanha na Internet. Quanta grana deve estar envolvida...

É por essas e outras que eu digo que o Serra não terá chance.

segunda-feira, abril 05, 2010

Show de horror...

domingo, abril 04, 2010

Vox Populi já aponta empate técnico entre Dilma e Serra, sem nem ter começado a campanha de rádio e TV.

E eu dizendo há quase 1 ano que a vitória da Dilma é barbada. Pra mim, só se acontecer uma hecatombe política (tipo um escândalo gigantesco) ela perde.